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TIJOLO ECOLÓGICO GAÚCHO UTILIZA RESÍDUOS DA INDÚSTRIA
21/10/2009
Iniciativa agrega valor ao produto final e obedece a princípios de sustentabilidade.

Tijolo Ecológico

A necessidade de resolver um problema de acúmulo de resíduos industriais levou a fabricante de autopeças GKN do Brasil a investir em um produto inovador para o ramo da construção civil. Através de uma parceria entre a empresa, a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e a Olaria Brasil, de Porto Alegre, os resíduos provenientes da Estação de Tratamento de Efluentes de Fosfato, da unidade da GKN em Charqueadas, estão sendo reciclados em um projeto pioneiro de fabricação de tijolos ecológicos.

O produto, denominado Bioblock, começou a ser produzido no final de 2008. Segundo a coordenadora da área ambiental da GKN do Brasil, Andrea Pampanelli, esta alternativa de aproveitamento do lodo do tratamento de efluentes de fosfato diferenciou-se de outros estudos sobre reciclagem de resíduos na construção civil porque levou em conta aspectos ambientais, técnicos e econômicos. "Ele agrega valor ao produto gerado e também garante que a reci­clagem
obedeça a princípios de desenvolvimento sustentável”, afirma. Com o mesmo nível de propriedades mecânicas e durabilidade do um tijolo comum, o Bioblock utiliza menos argila em sua composição, reduzindo assim o impacto ambiental provocado pela extração de argila, além de preservar este recurso natural não renovável.

A fabricação e a adaptação do maquinário para todo o processo industrial exigiram trabalho das duas empresas que integram o projeto da Unisinos. A caçamba para coleta do lodo foi 100% desenvolvida pela GKN, cabendo a universidade a criação da esteira dosadora dos componentes que entram na produção. A participação da olaria foi fundamental para a adequação de todo o sistema de dosagem ao seu processo produtivo.

Com uma coleta mensal de 16 toneladas, em cerca de três anos, projeta Andrea, todo o lodo produzido e estocado no aterro da empresa em Charqueadas será reaproveitado. Atualmente, existem estocadas no local 500 toneladas de lodo do processo de fosfatização. De acordo com a GKN, a quantidade de lodo gerada pela empresa é de cerca de seis toneladas por mês.

Com a matéria-prima fornecida pela GKN, são fabricados mensalmente pela Olaria Brasil 250 mil tijolos, que utilizam ate* 3% de resíduos em sua composição. Segundo Ivanete Pisotto Soster, proprietária da cerâmica, os compradores, principalmente empresas construtoras e particulares, têm aprovado a qualidade. "É um produto que devera atrair a atenção de clientes interessados em questões ambientais."

Esse não é o primeiro proje­to ecológico desenvolvido pela Olaria Brasil. A oito anos, a cerâmica reduz a quantidade de lenha utilizada para a queima dos tijolos, através do emprego de resíduos de madeireiras. Atualmente, 80% do combustível usado e composto por serragem, o que diminui em até 20% o valor gasto no processo de cozimento. O projeto do Bioblock surgiu da necessidade da empresa em desenvolver alternativas de aproveitamento do material descartado pela indústria. Até então, os resíduos eram estocados no aterro locado em Charqueadas. "Além da preocupação com a questão ambiental, nós também concluímos que necessitávamos de uma solução que fos­se economicamente interessante a médio e longo prazo", destaca, Andrea Pampanelli'. Após a parceria com a Unisinos, que ajudou a pesquisar projetos que se adequassem a sua necessidade, a GKN entrou em contato com a Olaria Brasil, empresa reconhecida pela responsabilidade ambiental e estrutura. "Todo o processo de pesquisa levou três anos", lembra a coordenadora. Após a fase de testes de laboratório, foi realizado um estudo para viabilidade do aproveitamento em escala industrial, em seguida, o Bioblock foi submetido a aprovação dos órgaos ambientais e foi registrado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). Graças ao sucesso do projeto, hoje a GKN possui um índice de 99% de reciclagem de seus resíduos.


O projeto do tijolo ecológico foi reconhecido internacionalmente e premiado durante o evento da terceira edição do GKN Group Excellence Awards 2008, na categoria Desenvolvimento Sustentável Meio Ambiente. A premiação e instituída pelo grupo para iniciativas que busquem a excelência nos negócios. Todas as divisões do grupo mundial participam em sete categorias que refletem as questões-chave para o crescimento sustentável e a expansão da empresa. Além disso, o Bioblock também recebeu da matriz internacional da companhia o prêmio GKN Awar­ds for Inovation. Com o sucesso do Bioblock, a GKN do Brasil já tem como projeto o reaproveitamento de outros materiais, como os resíduos do forjamento, para a fabricação de novos produtos.

Fonte: Jornal do Comércio, Edição 09,10,11 e 12 de outubro 2009.